terça-feira, 2 de outubro de 2012

Roubalheira nacional


Na assembleia da República, a remuneração iliquida mais baixa é de 3605€ e este valor sobe... e sobe até uns absurdos 7352€.

Es
tas remunerações, que são um completo atentado à classe média, ainda tem acréscimos de deslocação da sua casa para o trabalho (porque estes senhores e senhoras recebem cerca de 70€ por cada dia em que nos dão a honra de ir "trabalhar" e mais 0.36€ por cada km que fazem até chegarem lá)... impressionante! Um subsidio e um abono de deslocação! "Horders"!
Para além deste roubo, estes senhores e senhoras, POR CADA VEZ que saem em representação da AR, recebem outro "apoio" de cerca de 70€, isto se não falarmos nos 376€ que ganham TODOS OS MESES por DESLOCAÇÃO em trabalho político. Tudo isto em território nacional, porque se falarmos em deslocações para o estrangeiro, a usurpação é muito maior.
Agora, se somarmos a este escândalo, viatura oficial, seguro de vida, cuidados de saúde (com equipas de saúde reservadas e exclusivas dos senhores e senhoras deputados) é caso para dizer que isto é o equivalente a ROUBAR, com direito a decreto-lei e tudo.

A nós, classe média, ninguém nos paga subsídios de deslocação... quanto mais acumular abonos e subsídios e outra qualquer nomenclatura que queiram usar...
Quem me dera que, cada vez que tenho que sair do meu local de trabalho para o "representar" me dessem 70€ (contento-me quando me pagam o parquímetro).

Somos roubados todos os dias... seja por governos, seja por oposições... porque será que nunca surgiu nenhuma proposta de alteração por parte das "oposições" a estas "leis"?

Não deve ser fácil receber tantos "apoios" para trabalhar e, mesmo assim, fazê-lo tão mal. Se isto se passasse numa empresa, estes "senhores" eram demitidos... TODOS


sábado, 22 de setembro de 2012

Vira e Volta

De volta à rotina e aos ritualismos. Virei a página das férias (das quais já sinto saudade) e estou a escrever outro e o mesmo capítulo que interrompi.

Tenho que me reprogramar para o dia-a-dia...


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Alvorada


Madruguei para te ver. Corri pelos sonhos e pelas horas cansadas, só para chegar e sentir-te ao meu lado!

Viajando em ti... só assim vale a pena despertar para os dias... só mergulhada neste oceano de possibilidades em que nada vive, nada se ouve... só o nosso olhar.

Por entre o silêncio de uma luz que teima em não acordar, na alvorada da realidade que nos bate à porta, em ti me procuro e em ti me revejo.

Dias que passam cheios de nós... guardarei para sempre as partículas de infinito que sorvo, em cada manhã, em que venho só para te encontrar. 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Férias


Este mês que antecede as férias é qualquer coisa de tenebrosa e desgastante. Fica sempre um misto de inquietação e antecipação nos dias, que nos dificulta o respirar.
Entre projetos descomprometidos arrastam-se as horas, espreitando o calendário parado e lentificado que teima em não passar.

Como se diz em terras de São Miguel... “sai-te mês desgraçado!” Eu preciso de descansar.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Deambulando




“Respiramos demasiado depressa para sermos capazes de captar as coisas em si próprias ou de denunciar a sua fragilidade”
Emil Michel Cioran. (1911-95). Pensar Contra Si Próprio


Cioran apresenta-nos um pensamento pessimista da própria condição de SER humano e coloca em diálogo direto a liberdade e a ação. Para este autor, sentir, agir, interagir, deturpa a nossa consciência e torna-nos incapazes de pensar livremente. Como tal, e uma vez que não conseguimos ausentar-nos da ação, a liberdade é um conceito utópico e inatingível.

Correndo o risco de desvirtuar o pensamento do autor, vou-me deter um pouco neste "respirar" sôfrego e apressado de que ele nos fala que, me parece, retrata de forma fidedigna a realidade atual.
Tem-se tornado cada vez mais evidente que vivemos na sociedade do imediato (e do imediatamente), em que tudo nos é dado em formato de  "pacotes promocionais".
A escola vem em pacotes que se adequam às "necessidades" e níveis de dificuldade;  a televisão é agora feita à medida de quem a consome; a informação multiplica-se em diferentes meios e feitios e vamos passando pelos dias mergulhados em excessos (de oportunidades, de escolhas, de agir).
O aleatório e subjetivo instala-se e o mundo respira depressa demais. O pulsar do agora e pré-feito dá-nos a oportunidade de escolher sem pensar e sem pesar consequências.  
Estes "pacotes promocionais" que enformam os nossos dias tornam-nos inconsequentes e superficiais e fazem-nos querer "comprar" mais e mais, sem termos sequer consumido o que já temos.
Acredito que vivemos na armadilha do imediato e na ilusão da liberdade pois, uma vez que não somos convidados a pensar, não aprofundamos nem nos apropriamos de nenhum dos "pacotes" que compramos (apesar de os assumirmos como perenes convicções) e acabamos por escolhê-los de forma aleatória e comodista.
O mesmo autor diz-nos que "só tem convicções aquele que não aprofundou nada" e, de fato, se pensarmos nos absolutos percebemos que estes estão presos à temporalidade, individualidade e contextos dos relativos. A vida só É relativamente à morte, deus só existe porque o Homem decidiu pensá-lo e a ciência só nos dá verdades provisórias.
A palavra-chave desta deambulação parece-me ser "aprofundar"... temos que respirar pausadamente, sorver apenas os "pacotes promocionais" que nos interessam e aprofundá-los, captar a sua essência e questioná-los. 
Quem não questiona as suas convicções está condenado a viver na ilusão de que é livre!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Constatações de Verão



O calor que me abraça por dentro abafa a chuva que me molha
Em retirada passam por mim gotas e orvalhos e constelações...
Num marulhar de sons e emoções o céu chora enquanto o meu corpo estremece em delírio.
Sinto a paz dos dias felizes a instaurar-se em mim. Que chova e troveje! Eu vivo sobre as nuvens.


(Mesmo em dias de chuva, o que importa é ter motivos para sorrir!)

terça-feira, 15 de maio de 2012


Tanto tempo desperdiçado em trabalhos sem interesse ou propósito... se o tempo falasse dizia-me para me apressar, precaver e organizar.

Como o agendamento e a organização não são elementos constituintes da minha essência, gostaria de poder "comprar tempo" para não ter que o perder.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

florbela


Extremo, imenso, angustiante e intenso! Como tudo o que ela escreveu

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

Florbela Espanca - Livro de Soror Saudade

 
Mesmo pesando os ultra e mega romantismos, os seus desequilíbrios e as suas fixações doentias… A obra de Florbela é uma aguarela de lágrimas e de ilusões.
Viveu a dor com dor e gravou o seu mundo no feminino.

Todas as golfadas que lançou no papel saíram-lhe do útero… do Ser Mulher… do incontrolável!

Florbela Espanca… sonetos que li e reli na minha adolescência, que me acompanharam ao longo da minha juventude e que ainda me tocam agora… agora que, já mulher, ainda me revejo nos seus excessos… ainda me vou sentindo doente por viver.

 Para quê viver se não intensamente? Para quê amar se não imensamente?

Também nos extremos, nas periferias do amor, se encontra a perfeição. Aliás, atrevo-me a dizer que, quem não conhece as periferias do amor, também não abarca o seu núcleo…

Prefiro os extremos e a angústia porque me ajudam a respirar!

É bom recordar Florbela!! É bom recordar as extremidades da (sua) vida.



terça-feira, 17 de abril de 2012

mudam-se os hábitos



...a realidade muda com o tempo... os hábitos, as modas, os conceitos e os valores!
Redifinem-se e reorganizam-se vontades e vaidades. Colocam-se em campos distintos e contrários a rigidez das religiões e a moral do homem.

Do muito, excessivo e agrilhoante caminhamos para o nada, para o subjetivo e relativo.

Relativismos à parte... mudam-se os tempos e as vontades. O que era deixará de ser. Diz-se que é mesmo assim, que é o ciclo geracional (uma atrás da outra num movimento de apropriação da realidade). Resta-me perguntar: o ciclo irá fechar-se outra vez? voltaremos à bestialidade?
...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Para nunca mais!



Lembrar…
Meu mundo de cores que já não são!
De jardins que guardo em molduras digitais… para nunca mais!
Minha terra: Húmus entranhado em mim! Castanho de uma paleta que perdi.

Quisera encontrar-te outra vez: sossego da minha inocência… paz que guardo na retina da lembrança.
Sossego! Igual a ti, só aqui, no tempo em que te perdi!
Quando fui menina, e neta e filha… nada mais…


Por entre os verdes das minhas tranças te deixei. Cresci! Fugi… para longe de ti.
Sem saber o que deixava, soltei amarras e rasguei a carne que me prendia por fim.

E agora?
Andar à deriva e por fim descansar!
Encontrar um lugar… um céu… um mar!
Um mundo: o meu!
Onde a chuva não magoa e a terra é quente e sangue e suor.
Onde a terra corre em mim. Onde as mãos são raízes e o corpo é montanha.

Agora procuro… na certeza de que nunca mais te vou encontrar: serenidade da minha infância.
Para nunca mais! Até nunca mais!

domingo, 1 de abril de 2012

Do tempo que já foi

Amor meu… amor teu.
Amor que é e que será.
Preso ao que morreu?
Se já não é, porque te importa!
Para sempre te importará?

Amor meu… amor teu.
Longe do passado… para além dos pretéritos do tempo.
Amor mais! Amor Forte, permanente, insistente… perfeito! O meu e teu!

Até quando recordar? Para quando esquecer? Quando? Em que momento?
Pedir perdão… Até quando? Para quando? Tormento!

E a culpa? A carrasca… quando irá morrer?
A culpa pela dor que provoco…
Até quando? Esquecer!


O tempo esquece? O tempo passa? O tempo mata?

Do tempo que já foi sobram estilhaços no que é…

sexta-feira, 23 de março de 2012

conforto


Cão paciente versus cão resiliente! Um "combate" em várias mãos, com um só vencedor: o conforto :)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Miserável humanidade


O vazio que se alastra no âmago das vontades é um veneno sem rosto ou nome.
Um vazio embrionário! Do descartável e pronto a consumir, em que todos lutam por nadas e em que os ideais são tantos que nunca se concretizam.
Mentes cheias de nadas... de preconceitos e de dedos que apontam para longe.
Gente vazia... de desejos fugazes... de vontades voláteis!
Ausências!
 As pessoas vivem ausentes de si... num limbo de modernidade e de livre pensar, em que tudo lhes é oferecido, em que as oportunidades se multiplicam em nome da igualdade e de direitos.
Vivemos na era dos direitos: direito de escolher, de falar, de (des)respeitar, de mandar, de fazer e de desfazer. A era em que tudo se dá e tudo se pode! A era em que todos pensam que pensam sem terem que pensar.
O Vazio das liberdades vazias! Dos valores diluídos!

O que não é conquistado não tem valor! O que não é cultivado não tem conteúdo!

O presente das formas, despidas de tudo! O que nos espera no futuro?

quinta-feira, 8 de março de 2012

Celebrar a diferença

Celebrar a conquista, a emancipação, a luta!
Dia 8 de Março foi instituído como o dia em que se celebra a diferença!

Porque o percurso foi diferente e diferentes são ainda os direitos... importa relembrar o muito que se percorreu  e os caminhos que ainda estão por percorrer.

Muitas são as vozes que dizem que este é um dia discriminatório, que reforça desigualdades e que sublinha ainda mais o fosso que se mantém entre os sexos.
Mas uma celebração não diminui nenhuma causa. Celebrar é enaltecer.

E porquê enaltecer as mulheres e não os homens?
Porque as mulheres iniciaram (e iniciam ainda) o seu percurso pela história da humanidade (e pela história das suas vidas) em desvantagem. Uma desvantagem real, incontornável e cada vez mais agrilhoante.

Uma desvantagem cultural e histórica que ecoou pelos séculos e que se ouve ainda na actualidade... No discurso dos idosos, dos jovens, das mães, dos pais, dos colegas de trabalho, dos amigos, das entidades patronais... um discurso que nasce da própria condição de ser mulher: aparentemente frágil, intelectualmente subjugada, dogmaticamente diminuída.

Religiões que lhe dizem o que deve ser e fazer. Anciãos que lhe incutem a crença na inferioridade.

Mulher!! Ainda programada para obedecer, agradar, cuidar... Mulher!!! Confortavelmente diferente. Porque muitas são as que não tentam formatar estas programações que as diminuem.

Mulher!! Inevitavelmente diferente. Orgulhosamente diferente. Porque ser diferente não é ser menor... é ser único e invulgar. Ser diferente obriga a uma maior consciência de si, das dificuldades, dos desafios e do valor que nos é intrínseco.

8 de Março celebra-se a diferença.  E porque não?


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

soneto do amor total




Porque tanto é dito sobre o amor... porque todos somos entendidos no assunto...

Mas de cada vez que eu penso nesta palavra (que penso verdadeiramente nesta palavra) não consigo abarcar a sua totalidade... não consigo entendê-la verdadeiramente.

O Amor só faz sentido se for Total... só é amor se for total.
Se pensarmos nele como uma parcela de algo, ou como uma fase transitória para outra coisa qualquer, então deixa de ser amor, muda de nome e de contornos.

Devia ser proibido banalizar tanto este sentimento... dizer que se tem e se sente sem se ter nem se sentir! devia ser considerado crime público! Prendam-se os prevaricadores que usam e abusam da palavra e que a emprenham de vazios. Alguém tem que lhes dizer que esse "amor" (amor de horas ou dias, amor de condições e com limites) não é total e, como tal, deixa de ser amor!

E assim me perco eu a definir este sentimento identificando aquilo que ele não é... na esperança de que assim fique mais fácil isolá-lo, dar-lhe uma etiqueta e organizá-lo numa dada prateleira do meu pensamento.

Mas uma questão persiste:
...como se arruma a totalidade? - O que atravessa os dias... todos os dias... que se vai passeando pelas horas, preenchendo todas as brechas e dando cor aos momentos?
A totalidade não tem etiquetas... o amor não pode ter etiquetas.

Penso em ti: meu amor total... meu outro lado... contrapeso... emoção... conforto... plenitude...
Penso em ti: avassalador!
Penso em ti sem etiquetas... simplesmente amor... em estado puro (e líquido e sólido e gasoso)...
Penso em ti e estremeço (porque é maior que eu)... penso e sei: para sempre amor... para sempre tua

Mónica

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Só compra quem gosta ;)


amigos... leva-os o vento

Já me pus a pensar no verdadeiro valor da amizade:
- O que é um amigo afinal?

AMIGO...
Por vezes penso se não será apenas uma palavra... uma palavra que flutua na onda do tempo e que, num movimento pendular, tanto é como deixa de ser.
Os amigos não ficam presos aos contextos... aí reside a verdadeira essência da amizade: ver para além da pequenez das coisas, para além do mesquinho e fugaz.

Um amigo resiste ao tempo... e é! independentemente! incondicionalmente!
Estarei a ser utópica por achar que existe alguém assim? Por ter expectativas tão elevadas sobre a amizade? Não! Eu encontrei, por isso sei que existe... mas também sei que estes valores não estão acessíveis a todos... a roda da vida é mesmo assim: o pêndulo que embala as amizades efémeras encarrega-se de, eventualmente, as colocar a descoberto.

Mais tarde ou mais cedo... quanto mais cedo melhor.



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ocupação!


Encontrei-te...

 Perdido por entre os meus dedos, fechado sob a minha pele.
Não cuidei, não olhei, não ouvi o som do mar que saía da tua concha e, ainda assim, encontrei-te.
Encontrei um casulo... onde a vida se acaba... onde vidas começam! Lá estavas tu: em potência.
Essência metamórfica dos dias: a potência. O que já é tudo não sendo nada.
O teu mar inundou-me... esse azul que saíu da tua boca e do teu olhar tomou conta de mim.
Avassalador por ser assim... sem explicação, sem razão... por ser pura comoção... avassalador por seres assim! Porque te apoderaste de mim.
 Abriu-se o casulo... acalmou-se o mar... mergulhei! No marulhar das ondas, no vaivém do teu olhar... Encontrei-te...

 ...e encontrei-me também.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Melody Gardot - "Quiet Fire"


um pouco de transcendência.

PR olhando "para cenas"

Eis que Cavaco Silva, o nosso tão estimado e caquético PR continua, num esforço louvável (e até desumano para a sua idade), a "olhar para cenas".

O pobre homem, que sobrevive com uns miseros 10000 € por mês (segundo as contas do Público) não consegue, certamente, fazer mais que isto.

Eu fico um pouco consternada por se esperar tanto de um idoso que não recebe um salário pelas funções desempenhadas actualmente e que vive das suas pensões! É uma pessoa mal nutrida, que atravessa sérias dificuldades económicas e que, para além do mais, deve padecer de alguma doença semelhante à de alzheimer.
Em que país vivemos? Será que nunca estamos satisfeitos com aquilo que os outros, tão generosamente, têm para nos oferecer?

O nosso PR é apenas um voluntário que, ao invés de se entregar às horas lânguidas da reforma, resolveu contribuir para o desenvolvimento do seu país. Não lhe vamos exigir rsultados que vão, claramente, para além das suas competências e disponibilidade.

Se o voluntariado é um hobby, que mais podemos querer deste homem? Eu até acho que, com as suas intervenções "discretas mas importantes", ele faz muito mais que o espectável.

Deixemo-nos de mesquinhices! Respeitemos a terceira idade e fiquemos gratos pelos voluntários que, pelo país fora, contribuem com sapiência, tempo e dedicação para o bem estar da sua comunidade.

Muito obrigada senhor PR, por nos presentear com a sua presença e inegualável disponibilidade durante mais de 20 anos!
Obrigada por estar presente nas nossas vidas e ser o exemplo vivo de que podemos ir mais longe e conseguir grandes feitos... basta que olhemos (sempre e só) "para cenas".

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

vou "gerundiar" para longe daqui

O modo como olhamos para os espaços depende dos significados que lhes atribuímos.
A casa da nossa infância será sempre a "nossa casa"... a primeira, a que sempre existirá, a derradeira.
Os casebres onde fomos passeando os nossos ossos boémios e universitários representarão sempre o convívio, a partilha, o desespero, a má nutrição, as noites mal dormidas e, acima de tudo, o conhecer do "mais além".
O primeiro local onde trabalhámos... o desafio, a avaliação, o medo de falhar e a felicidade de aprender (sempre e cada vez mais).

Se olharmos para trás é isto que nos fica! Se ficarmos para além do tempo, é isto que esquecemos...


Por agora, vou gerundiar para outro lado... pode ser que reencontre o desafio, o medo de falhar e que aprenda sempre e cada vez mais.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Janeiro é o mês em que mais se mente

 Pequena curiosidade:

"Janeiro é o mês em que mais mentiras são ditas. Mente-se sobre os gastos no Natal, o que se bebeu (exagerando, em regra), as prendas recebidas, as festas em que (não) se esteve. Mente-se ainda sobre saúde - aproveitando o frio para ficar 'doente' em casa ou evitar compromissos. Em média, umas sete mentiras por dia, comparadas com quatro num mês normal. Em termos de fantasia, o ano começa activo".


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Inquietações paliativas

Tenho vindo a observar (ou porque penso mais nisso ou porque se tornou mais evidente) que este país tem vindo a valorizar cada vez mais os cuidados paliativos.
Cada vez mais se dá o peixe e menos se ensina a pescar... Procuram-se tapar as feridas, ou "o sol com a peneira", mas não se reabilita ou trata efectivamente da génese do problema. Vamos ficando pela rama! Aliás, aprofundar em demasia pode ser um defeito e não uma virtude.
Isto acontece na economia (em que se impõem austeridade, para só depois se pensar em retoma e recuperação), nas políticas socias (que deram muito, durante muito tempo, e não apontaram caminhos de superação e emancipação), no futebol (gáudio desesperante do povo, que sobrevive sempre de "contas" e de comparações com a prestação dos outros), na conversa de café (local previligiado para apontar o dedo à rama) e um pouco por todo o lado e em todas as vertentes das nossas vidas.

Ainda hoje tive uma discussão (pouco acesa e descomprometida) sobre a (des)importância da monarquia, que ainda vai angariando "votos" e seguidores. Estes pró-monárquicos diziam que a república tinha morrido, pois não respeitava os nossos direitos e que o nosso remédio (este radical e pouco paliativo) seria votarmos a favor da implementação de uma monarquia neste país à beira mar plantado. Mais um afirmação "pela rama"... uma afirmação confortável daqueles que, tendo direitos, anseiam deixar de os ter mas, ao mesmo tempo, reclamam porque querem ter mais!

País de contrariedades... ou antes, sociedade de contrariedades em que os verdadeiros assuntos não chegam à comunicação social (ou se chegam não saem dela) e em que se tenta pôr um penso em tudo, sem curar verdadeiramente e tapar o sol com a peneira, sem sermos capazes de o olhar de frente.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Felicidade

"O objectivo para o qual o princípio do prazer nos impele — o de nos tornarmos felizes — não é atingível; contudo, não podemos — ou melhor, não temos o direito — de desistir do esforço da sua realização de uma maneira ou de outra. Caminhos muito diferentes podem ser seguidos para isso; alguns dedicam-se ao aspecto positivo do objectivo, o atingir do prazer; outros o negativo, o evitar da dor."
Sigmund Freud, A Civilização e os Seus Descontentamentos


Viver no domínio da fugaz busca do prazer nunca sacia...
Evitar a dor permanentemente torna a vida vazia...

A resposta estará no equilíbrio das forças?

Para mim, a felicidade é uma experiência resultante de experiências e nunca de equilíbrios.
Quando me deparo com algo que me transcende, que é claramente mais e melhor que eu, experimento o Belo e o Bom... e encontro momentos de felicidade.

...como é que sei que sou feliz?
Não será nunca porque me protegi da dor ou porque a procurei em prazeres efémeros, mas porque tomei consciência de que esta  (a felicidade) não é um estado permanente e imutável, mas sim a soma de momentos transcendentes em que me supero.

...bem vistas as coisas, a felicidade não está no domínio do vivido, ou do viver... ela é um gerúndio! vou sendo feliz... sem medo da dor ou sem ilusões de plenitude(s).

As coisas ditas desta forma parecem pouco positivas e optimistas, mas não o são! A felicidade plena e eterna é impossível... viver em busca de um ideal teórico e puramente abstracto, corresponderia a uma insatisfação constante.
A realidade é feita de somas e subtracções... sou feliz quando junto mais do que tiro.

O meu balanço? Vou sendo muito feliz. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O fim da história... para quando?


Quando Fukuyama, nos anos 90, no seu livro O Fim da História e o Último Homem, se referia à democracia como o último estádio evolutivo dos estados e da humanidade, que traria consigo o "fim da história" ou, pelo menos, o ponto máximo a partir do qual já nada mais existe a melhorar, não contava com situações como aquela com que nos estamos a deparar na Hungria.


Liberdades ameaçadas e conquistas perdidas! Mesmo aqui ao lado, na liberal e democrática Europa... o "velho mundo", que se encontra à beira do abismo económico e assiste impavidamente a este retrocesso evolutivo.
 Fukuyama errou: ao medir a espécie humana, usou a métrica do bom senso.
Calculou, nas suas deambulações filosóficas e idealistas, que o Homem, após encontrar um sistema político que garantisse a igualdade (ou a maior igualdade possível) e a liberdade (de pensamento e expressão) apenas mudaria para algo melhor.
De facto, Fukuyama utilizou a métrica errada... deveria ter medido primeiro as alturas e as relações existentes entre palavras de ordem como "deus", "nação" ou "poder" e só depois poderia equacionar a hipótese de que a espécie humana se contenta com o que tem ou que é mesmo capaz de ter "bom-senso".

Que a Hungria nos relembre que a liberdade foi conquistada e que a história só termina quando a humanidade ficar reduzida ao "Último Homem".

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

quem foi que fez xixi na cama?



Enquanto andamos nós, meros mortais, a apontar dedos para o ar (que é o mesmo que dizer "para nada") este senhor enche-se de coragem (que é o mesmo que dizer "de tomates") e aponta o dedo aos verdadeiros prevaricadores.
Comentar e especular é bom (até porque é a única coisa que o cidadão comum, vulgo "zé povinho", pode fazer) mas deve ser muito melhor poder apontar o dedo e identificar todos os senhores que, apesar de não terem sido eleitos, andaram a afundar isto (que é o mesmo que dizer " andaram a fazer xixi na cama"... ou outras coisas mais fora da sanita).
Este acesso de honestidade irá mudar alguma coisa? Não, mas muitos acessos de honestidade poderiam conseguir tal façanha.
...temos que começar por algum lado...que venham mais senhores como este!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

atravessando

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” Fernando Pessoa

Depois das deambulações pessimistas de ontem e voltando à questão do(s) tempo(s), nada podia retratar melhor aquilo que sinto, que já iniciei e que quero continuar para sempre: a minha nova "travessia".


Em 2011 despi-me de roupas usadas que, ao contrário do que o poeta diz, tinham deixado de me servir. As formas eram confortáveis (se não fossem questionadas) e as cores eram ainda bonitas, mas já não me serviam! Penso que ganhei pesos e bagagens que foram, ao longo do tempo, tornando as minhas roupagens demasiado apertadas e me levavam sempre "aos mesmos lugares"... lugares que já nem eram meus e que, tal como as minhas roupas, se tinham tornado demasiado apertados e confinados.

Iniciei uma nova travessia, que me recolocou "em mim" e me fez sair da margem em que vivia. Ousei querer mais (com todos os atalhos, obstáculos e dificuldades que isso implica) e quero ir ousando, "gerundiando" sempre e para sempre nesta vida (minha) que é pouca quando se sabe para onde se vai.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2012




Ouvi dizer que o mundo ía acabar a 21 de Dezembro de 2012! Menos mal, ainda temos um ano quase completo pela frente para fazermos o que sempre desejámos fazer.

Para ler, escrever, amar, pensar, conhecer... viver!

Parece-me pouco tempo porque não vou começar hoje, porque nem tenho a certeza se esta previsão fatídica é verdadeira ou um simples acaso e então vou ficar à espera para ver. 

Amanhã é um bom dia para começar a viver!

Falo um pouco sobre os frutos do Natal que materializam o "amor" que os outros nutrem por mim e narro a minha corrida desenfreada aos saldos (ritual redundante que preenche vazios que nem sei que tenho).
Encaro o novo ano com o pessimismo próprio e apropriado à conjuntura (porque até fica bem dizer que se teme a crise económica, dá-nos um certo traço de humanidade), teço considerações sobre o modo como acho que o país deveria ser governado e sobre as injustiças sociais e... pronto! Já posso voltar à pacatez dos dias que se repetem, sem se renovarem... sempre iguais.
Os dias em que não leio nem escrevo, digo que penso e que amo (mas nunca pensei muito nisso) e acabo por não conhecer nada de novo (o que também não é importante, porque já está tudo visto).

E volto à pacatez dos dias em que o importante é descobrir novas formas de "matar" o tempo.

É por isso que quando me dizem que o mundo pode acabar daqui a pouco (um ano quase completo) não me parece assim tão mau.

Claro que me insurjo, que tremo ao pensar na finitude, no não poder nunca mais "matar" todo o tempo que me foi dado. É evidente que espero que esta pré e longínqua visão se esfume e me deixe continuar nesta letargia, vendo os dias multiplicarem-se em esperas e os anos em nostalgia.

Mas se tal não acontecer, não importa, porque um ano é muito tempo, quando a única coisa que fazemos é matar tempo!


Socializando

Vamos falar um pouco sobre o nada...

Sobre os pequenos e insignificantes nadas que compõem as nossas vidas, num perpetuar e eterno retorno das amabilidades sociais.
Vamos falar um pouco... partilhar um pouco... deambular bastante (demais) pelos meandros do supérfulo e banal.
Porque achamos que o que nos interessa interessa aos outros (ou não), ou porque simplesmente não conseguimos viver sem partilhar aquilo que não importa a mais ninguém.

E o jogo social do socialmente irrelevante perpetua-se e renova-se por entre o mofo do aparente(mente) e normal...

Partilhemos, então, banalidades! 
EU banalizo,
TU banalizas,
ELE banaliza
...
e banalizando vamos passando, dançando e representando os papéis que os outros esperam de NÓS!

Para Ti...

Viajo no reflexo deste espelho que me ofereceste…
Nos teus olhos a realidade transforma-se e multiplica-se em ideais.
Viajo, perco-me e chego a acreditar que o reflexo reflecte ainda mais… muito para além das coisas pequenas e banais.
Acredito que aquilo que vejo quando em ti me revejo, é a essência de tudo o que um dia quis ser…
Mas a tua boca conta-me histórias de encantar, de princesas e reinos e brilhantinas e fadas e de universos em que nunca vou viver.
Para que quero eu fadas a aconchegarem-me ao deitar ou brilhantinas ou reinos alados? Para que quero eu mundos de “era uma vez”?
Esses são universos vazios e despojados - inebriantes quando vistos ao longe talvez - mas não mais que ilusões indesejadas e nuvens de fumo quando comparadas com tudo o que o teu amor em mim fez.
A aparência da normalidade passeia-se por entre as frinchas das janelas, desliza pelas paredes e vai invadindo escassos momentos de estranheza.
É o tácito fazer parecer… fazer crer que se quer sem se saber onde se quer chegar e… quase nunca… por vezes… anda-se à deriva nesta estranheza quase enganadora do real.
Questionam-se, sem se questionar, passados, futuros e, muitas vezes, presentes…
São momentos que só são porque se entrecruzam com outros, que também já foram. Labirintos das emoções em que a razão fica do lado de fora da janela.
E a normalidade aparente teima em ser e ir ficando. Porque é aparente… porque não se sabe bem se está, se esteve ou se vai ficar… se é só uma brisa que se esgueira pelas frinchas deixadas por preencher ou se vai encher esses vazios permanentemente.
E se ficar? E se, sem avisar, se instalar nos quartos? Vai deixar de ser aparente para ser só a normalidade? É o risco que se corre com as aparências… deixamos que se diluam nos momentos e nas palavras que não são ditas… é exactamente esse o problema de tudo o que, sem ser, é: deixamos que se concretizem, que vençam a eterna batalha entre o que é e aquilo que ambiciona ser.

Tu foste chegando

O volver dos ponteiros é sempre igual… pesa nos dias. Um binómio que se colou, hipnotizou e conquistou sonhos que ficaram por sonhar.
Um passo lento, decrépito… a caminho de um fim longínquo e amorfo que se avizinha com cada volver. E os ponteiros não param nunca de andar! Nem quando a vida se esvai, talvez inquieta por não querer… talvez inerte por não saber.
Caminhos indiferentes e olhares sem um fim. O aparente vaivém que se acomoda nas horas e que tolda a razão… desvia os ponteiros dos sonhos imberbes que nunca serão… caminhos que nunca se cruzam (mesmo quando estão lado a lado).
O relógio dos dias parou!
Tu chegaste...
(...)
O pulsar dos ponteiros deixou de ser igual. A métrica que determina os dias perdeu-se na inquietude de um novo compasso.
Tu chegaste...
Alvoraçados, os espaços que não se sabiam vazios encheram-se de tudos; de mundos... o barulho ensurdecedor do nada agitou-se e implodiu num tumulto de emoções.
Abriste a caixa que estava esquecida...
Nasceram possibilidades, tempos, caminhos... exorcisaram-se frustrações disfarçadas no passar dos dias...  e o que nunca mais seria deixou de existir!
Porque tu chegaste.
(...)