terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ocupação!


Encontrei-te...

 Perdido por entre os meus dedos, fechado sob a minha pele.
Não cuidei, não olhei, não ouvi o som do mar que saía da tua concha e, ainda assim, encontrei-te.
Encontrei um casulo... onde a vida se acaba... onde vidas começam! Lá estavas tu: em potência.
Essência metamórfica dos dias: a potência. O que já é tudo não sendo nada.
O teu mar inundou-me... esse azul que saíu da tua boca e do teu olhar tomou conta de mim.
Avassalador por ser assim... sem explicação, sem razão... por ser pura comoção... avassalador por seres assim! Porque te apoderaste de mim.
 Abriu-se o casulo... acalmou-se o mar... mergulhei! No marulhar das ondas, no vaivém do teu olhar... Encontrei-te...

 ...e encontrei-me também.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Melody Gardot - "Quiet Fire"


um pouco de transcendência.

PR olhando "para cenas"

Eis que Cavaco Silva, o nosso tão estimado e caquético PR continua, num esforço louvável (e até desumano para a sua idade), a "olhar para cenas".

O pobre homem, que sobrevive com uns miseros 10000 € por mês (segundo as contas do Público) não consegue, certamente, fazer mais que isto.

Eu fico um pouco consternada por se esperar tanto de um idoso que não recebe um salário pelas funções desempenhadas actualmente e que vive das suas pensões! É uma pessoa mal nutrida, que atravessa sérias dificuldades económicas e que, para além do mais, deve padecer de alguma doença semelhante à de alzheimer.
Em que país vivemos? Será que nunca estamos satisfeitos com aquilo que os outros, tão generosamente, têm para nos oferecer?

O nosso PR é apenas um voluntário que, ao invés de se entregar às horas lânguidas da reforma, resolveu contribuir para o desenvolvimento do seu país. Não lhe vamos exigir rsultados que vão, claramente, para além das suas competências e disponibilidade.

Se o voluntariado é um hobby, que mais podemos querer deste homem? Eu até acho que, com as suas intervenções "discretas mas importantes", ele faz muito mais que o espectável.

Deixemo-nos de mesquinhices! Respeitemos a terceira idade e fiquemos gratos pelos voluntários que, pelo país fora, contribuem com sapiência, tempo e dedicação para o bem estar da sua comunidade.

Muito obrigada senhor PR, por nos presentear com a sua presença e inegualável disponibilidade durante mais de 20 anos!
Obrigada por estar presente nas nossas vidas e ser o exemplo vivo de que podemos ir mais longe e conseguir grandes feitos... basta que olhemos (sempre e só) "para cenas".

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

vou "gerundiar" para longe daqui

O modo como olhamos para os espaços depende dos significados que lhes atribuímos.
A casa da nossa infância será sempre a "nossa casa"... a primeira, a que sempre existirá, a derradeira.
Os casebres onde fomos passeando os nossos ossos boémios e universitários representarão sempre o convívio, a partilha, o desespero, a má nutrição, as noites mal dormidas e, acima de tudo, o conhecer do "mais além".
O primeiro local onde trabalhámos... o desafio, a avaliação, o medo de falhar e a felicidade de aprender (sempre e cada vez mais).

Se olharmos para trás é isto que nos fica! Se ficarmos para além do tempo, é isto que esquecemos...


Por agora, vou gerundiar para outro lado... pode ser que reencontre o desafio, o medo de falhar e que aprenda sempre e cada vez mais.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Janeiro é o mês em que mais se mente

 Pequena curiosidade:

"Janeiro é o mês em que mais mentiras são ditas. Mente-se sobre os gastos no Natal, o que se bebeu (exagerando, em regra), as prendas recebidas, as festas em que (não) se esteve. Mente-se ainda sobre saúde - aproveitando o frio para ficar 'doente' em casa ou evitar compromissos. Em média, umas sete mentiras por dia, comparadas com quatro num mês normal. Em termos de fantasia, o ano começa activo".


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Inquietações paliativas

Tenho vindo a observar (ou porque penso mais nisso ou porque se tornou mais evidente) que este país tem vindo a valorizar cada vez mais os cuidados paliativos.
Cada vez mais se dá o peixe e menos se ensina a pescar... Procuram-se tapar as feridas, ou "o sol com a peneira", mas não se reabilita ou trata efectivamente da génese do problema. Vamos ficando pela rama! Aliás, aprofundar em demasia pode ser um defeito e não uma virtude.
Isto acontece na economia (em que se impõem austeridade, para só depois se pensar em retoma e recuperação), nas políticas socias (que deram muito, durante muito tempo, e não apontaram caminhos de superação e emancipação), no futebol (gáudio desesperante do povo, que sobrevive sempre de "contas" e de comparações com a prestação dos outros), na conversa de café (local previligiado para apontar o dedo à rama) e um pouco por todo o lado e em todas as vertentes das nossas vidas.

Ainda hoje tive uma discussão (pouco acesa e descomprometida) sobre a (des)importância da monarquia, que ainda vai angariando "votos" e seguidores. Estes pró-monárquicos diziam que a república tinha morrido, pois não respeitava os nossos direitos e que o nosso remédio (este radical e pouco paliativo) seria votarmos a favor da implementação de uma monarquia neste país à beira mar plantado. Mais um afirmação "pela rama"... uma afirmação confortável daqueles que, tendo direitos, anseiam deixar de os ter mas, ao mesmo tempo, reclamam porque querem ter mais!

País de contrariedades... ou antes, sociedade de contrariedades em que os verdadeiros assuntos não chegam à comunicação social (ou se chegam não saem dela) e em que se tenta pôr um penso em tudo, sem curar verdadeiramente e tapar o sol com a peneira, sem sermos capazes de o olhar de frente.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Felicidade

"O objectivo para o qual o princípio do prazer nos impele — o de nos tornarmos felizes — não é atingível; contudo, não podemos — ou melhor, não temos o direito — de desistir do esforço da sua realização de uma maneira ou de outra. Caminhos muito diferentes podem ser seguidos para isso; alguns dedicam-se ao aspecto positivo do objectivo, o atingir do prazer; outros o negativo, o evitar da dor."
Sigmund Freud, A Civilização e os Seus Descontentamentos


Viver no domínio da fugaz busca do prazer nunca sacia...
Evitar a dor permanentemente torna a vida vazia...

A resposta estará no equilíbrio das forças?

Para mim, a felicidade é uma experiência resultante de experiências e nunca de equilíbrios.
Quando me deparo com algo que me transcende, que é claramente mais e melhor que eu, experimento o Belo e o Bom... e encontro momentos de felicidade.

...como é que sei que sou feliz?
Não será nunca porque me protegi da dor ou porque a procurei em prazeres efémeros, mas porque tomei consciência de que esta  (a felicidade) não é um estado permanente e imutável, mas sim a soma de momentos transcendentes em que me supero.

...bem vistas as coisas, a felicidade não está no domínio do vivido, ou do viver... ela é um gerúndio! vou sendo feliz... sem medo da dor ou sem ilusões de plenitude(s).

As coisas ditas desta forma parecem pouco positivas e optimistas, mas não o são! A felicidade plena e eterna é impossível... viver em busca de um ideal teórico e puramente abstracto, corresponderia a uma insatisfação constante.
A realidade é feita de somas e subtracções... sou feliz quando junto mais do que tiro.

O meu balanço? Vou sendo muito feliz. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O fim da história... para quando?


Quando Fukuyama, nos anos 90, no seu livro O Fim da História e o Último Homem, se referia à democracia como o último estádio evolutivo dos estados e da humanidade, que traria consigo o "fim da história" ou, pelo menos, o ponto máximo a partir do qual já nada mais existe a melhorar, não contava com situações como aquela com que nos estamos a deparar na Hungria.


Liberdades ameaçadas e conquistas perdidas! Mesmo aqui ao lado, na liberal e democrática Europa... o "velho mundo", que se encontra à beira do abismo económico e assiste impavidamente a este retrocesso evolutivo.
 Fukuyama errou: ao medir a espécie humana, usou a métrica do bom senso.
Calculou, nas suas deambulações filosóficas e idealistas, que o Homem, após encontrar um sistema político que garantisse a igualdade (ou a maior igualdade possível) e a liberdade (de pensamento e expressão) apenas mudaria para algo melhor.
De facto, Fukuyama utilizou a métrica errada... deveria ter medido primeiro as alturas e as relações existentes entre palavras de ordem como "deus", "nação" ou "poder" e só depois poderia equacionar a hipótese de que a espécie humana se contenta com o que tem ou que é mesmo capaz de ter "bom-senso".

Que a Hungria nos relembre que a liberdade foi conquistada e que a história só termina quando a humanidade ficar reduzida ao "Último Homem".

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

quem foi que fez xixi na cama?



Enquanto andamos nós, meros mortais, a apontar dedos para o ar (que é o mesmo que dizer "para nada") este senhor enche-se de coragem (que é o mesmo que dizer "de tomates") e aponta o dedo aos verdadeiros prevaricadores.
Comentar e especular é bom (até porque é a única coisa que o cidadão comum, vulgo "zé povinho", pode fazer) mas deve ser muito melhor poder apontar o dedo e identificar todos os senhores que, apesar de não terem sido eleitos, andaram a afundar isto (que é o mesmo que dizer " andaram a fazer xixi na cama"... ou outras coisas mais fora da sanita).
Este acesso de honestidade irá mudar alguma coisa? Não, mas muitos acessos de honestidade poderiam conseguir tal façanha.
...temos que começar por algum lado...que venham mais senhores como este!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

atravessando

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” Fernando Pessoa

Depois das deambulações pessimistas de ontem e voltando à questão do(s) tempo(s), nada podia retratar melhor aquilo que sinto, que já iniciei e que quero continuar para sempre: a minha nova "travessia".


Em 2011 despi-me de roupas usadas que, ao contrário do que o poeta diz, tinham deixado de me servir. As formas eram confortáveis (se não fossem questionadas) e as cores eram ainda bonitas, mas já não me serviam! Penso que ganhei pesos e bagagens que foram, ao longo do tempo, tornando as minhas roupagens demasiado apertadas e me levavam sempre "aos mesmos lugares"... lugares que já nem eram meus e que, tal como as minhas roupas, se tinham tornado demasiado apertados e confinados.

Iniciei uma nova travessia, que me recolocou "em mim" e me fez sair da margem em que vivia. Ousei querer mais (com todos os atalhos, obstáculos e dificuldades que isso implica) e quero ir ousando, "gerundiando" sempre e para sempre nesta vida (minha) que é pouca quando se sabe para onde se vai.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2012




Ouvi dizer que o mundo ía acabar a 21 de Dezembro de 2012! Menos mal, ainda temos um ano quase completo pela frente para fazermos o que sempre desejámos fazer.

Para ler, escrever, amar, pensar, conhecer... viver!

Parece-me pouco tempo porque não vou começar hoje, porque nem tenho a certeza se esta previsão fatídica é verdadeira ou um simples acaso e então vou ficar à espera para ver. 

Amanhã é um bom dia para começar a viver!

Falo um pouco sobre os frutos do Natal que materializam o "amor" que os outros nutrem por mim e narro a minha corrida desenfreada aos saldos (ritual redundante que preenche vazios que nem sei que tenho).
Encaro o novo ano com o pessimismo próprio e apropriado à conjuntura (porque até fica bem dizer que se teme a crise económica, dá-nos um certo traço de humanidade), teço considerações sobre o modo como acho que o país deveria ser governado e sobre as injustiças sociais e... pronto! Já posso voltar à pacatez dos dias que se repetem, sem se renovarem... sempre iguais.
Os dias em que não leio nem escrevo, digo que penso e que amo (mas nunca pensei muito nisso) e acabo por não conhecer nada de novo (o que também não é importante, porque já está tudo visto).

E volto à pacatez dos dias em que o importante é descobrir novas formas de "matar" o tempo.

É por isso que quando me dizem que o mundo pode acabar daqui a pouco (um ano quase completo) não me parece assim tão mau.

Claro que me insurjo, que tremo ao pensar na finitude, no não poder nunca mais "matar" todo o tempo que me foi dado. É evidente que espero que esta pré e longínqua visão se esfume e me deixe continuar nesta letargia, vendo os dias multiplicarem-se em esperas e os anos em nostalgia.

Mas se tal não acontecer, não importa, porque um ano é muito tempo, quando a única coisa que fazemos é matar tempo!


Socializando

Vamos falar um pouco sobre o nada...

Sobre os pequenos e insignificantes nadas que compõem as nossas vidas, num perpetuar e eterno retorno das amabilidades sociais.
Vamos falar um pouco... partilhar um pouco... deambular bastante (demais) pelos meandros do supérfulo e banal.
Porque achamos que o que nos interessa interessa aos outros (ou não), ou porque simplesmente não conseguimos viver sem partilhar aquilo que não importa a mais ninguém.

E o jogo social do socialmente irrelevante perpetua-se e renova-se por entre o mofo do aparente(mente) e normal...

Partilhemos, então, banalidades! 
EU banalizo,
TU banalizas,
ELE banaliza
...
e banalizando vamos passando, dançando e representando os papéis que os outros esperam de NÓS!

Para Ti...

Viajo no reflexo deste espelho que me ofereceste…
Nos teus olhos a realidade transforma-se e multiplica-se em ideais.
Viajo, perco-me e chego a acreditar que o reflexo reflecte ainda mais… muito para além das coisas pequenas e banais.
Acredito que aquilo que vejo quando em ti me revejo, é a essência de tudo o que um dia quis ser…
Mas a tua boca conta-me histórias de encantar, de princesas e reinos e brilhantinas e fadas e de universos em que nunca vou viver.
Para que quero eu fadas a aconchegarem-me ao deitar ou brilhantinas ou reinos alados? Para que quero eu mundos de “era uma vez”?
Esses são universos vazios e despojados - inebriantes quando vistos ao longe talvez - mas não mais que ilusões indesejadas e nuvens de fumo quando comparadas com tudo o que o teu amor em mim fez.
A aparência da normalidade passeia-se por entre as frinchas das janelas, desliza pelas paredes e vai invadindo escassos momentos de estranheza.
É o tácito fazer parecer… fazer crer que se quer sem se saber onde se quer chegar e… quase nunca… por vezes… anda-se à deriva nesta estranheza quase enganadora do real.
Questionam-se, sem se questionar, passados, futuros e, muitas vezes, presentes…
São momentos que só são porque se entrecruzam com outros, que também já foram. Labirintos das emoções em que a razão fica do lado de fora da janela.
E a normalidade aparente teima em ser e ir ficando. Porque é aparente… porque não se sabe bem se está, se esteve ou se vai ficar… se é só uma brisa que se esgueira pelas frinchas deixadas por preencher ou se vai encher esses vazios permanentemente.
E se ficar? E se, sem avisar, se instalar nos quartos? Vai deixar de ser aparente para ser só a normalidade? É o risco que se corre com as aparências… deixamos que se diluam nos momentos e nas palavras que não são ditas… é exactamente esse o problema de tudo o que, sem ser, é: deixamos que se concretizem, que vençam a eterna batalha entre o que é e aquilo que ambiciona ser.

Tu foste chegando

O volver dos ponteiros é sempre igual… pesa nos dias. Um binómio que se colou, hipnotizou e conquistou sonhos que ficaram por sonhar.
Um passo lento, decrépito… a caminho de um fim longínquo e amorfo que se avizinha com cada volver. E os ponteiros não param nunca de andar! Nem quando a vida se esvai, talvez inquieta por não querer… talvez inerte por não saber.
Caminhos indiferentes e olhares sem um fim. O aparente vaivém que se acomoda nas horas e que tolda a razão… desvia os ponteiros dos sonhos imberbes que nunca serão… caminhos que nunca se cruzam (mesmo quando estão lado a lado).
O relógio dos dias parou!
Tu chegaste...
(...)
O pulsar dos ponteiros deixou de ser igual. A métrica que determina os dias perdeu-se na inquietude de um novo compasso.
Tu chegaste...
Alvoraçados, os espaços que não se sabiam vazios encheram-se de tudos; de mundos... o barulho ensurdecedor do nada agitou-se e implodiu num tumulto de emoções.
Abriste a caixa que estava esquecida...
Nasceram possibilidades, tempos, caminhos... exorcisaram-se frustrações disfarçadas no passar dos dias...  e o que nunca mais seria deixou de existir!
Porque tu chegaste.
(...)