segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A aparência da normalidade passeia-se por entre as frinchas das janelas, desliza pelas paredes e vai invadindo escassos momentos de estranheza.
É o tácito fazer parecer… fazer crer que se quer sem se saber onde se quer chegar e… quase nunca… por vezes… anda-se à deriva nesta estranheza quase enganadora do real.
Questionam-se, sem se questionar, passados, futuros e, muitas vezes, presentes…
São momentos que só são porque se entrecruzam com outros, que também já foram. Labirintos das emoções em que a razão fica do lado de fora da janela.
E a normalidade aparente teima em ser e ir ficando. Porque é aparente… porque não se sabe bem se está, se esteve ou se vai ficar… se é só uma brisa que se esgueira pelas frinchas deixadas por preencher ou se vai encher esses vazios permanentemente.
E se ficar? E se, sem avisar, se instalar nos quartos? Vai deixar de ser aparente para ser só a normalidade? É o risco que se corre com as aparências… deixamos que se diluam nos momentos e nas palavras que não são ditas… é exactamente esse o problema de tudo o que, sem ser, é: deixamos que se concretizem, que vençam a eterna batalha entre o que é e aquilo que ambiciona ser.

Nenhum comentário:

Postar um comentário