sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O fim da história... para quando?


Quando Fukuyama, nos anos 90, no seu livro O Fim da História e o Último Homem, se referia à democracia como o último estádio evolutivo dos estados e da humanidade, que traria consigo o "fim da história" ou, pelo menos, o ponto máximo a partir do qual já nada mais existe a melhorar, não contava com situações como aquela com que nos estamos a deparar na Hungria.


Liberdades ameaçadas e conquistas perdidas! Mesmo aqui ao lado, na liberal e democrática Europa... o "velho mundo", que se encontra à beira do abismo económico e assiste impavidamente a este retrocesso evolutivo.
 Fukuyama errou: ao medir a espécie humana, usou a métrica do bom senso.
Calculou, nas suas deambulações filosóficas e idealistas, que o Homem, após encontrar um sistema político que garantisse a igualdade (ou a maior igualdade possível) e a liberdade (de pensamento e expressão) apenas mudaria para algo melhor.
De facto, Fukuyama utilizou a métrica errada... deveria ter medido primeiro as alturas e as relações existentes entre palavras de ordem como "deus", "nação" ou "poder" e só depois poderia equacionar a hipótese de que a espécie humana se contenta com o que tem ou que é mesmo capaz de ter "bom-senso".

Que a Hungria nos relembre que a liberdade foi conquistada e que a história só termina quando a humanidade ficar reduzida ao "Último Homem".

Um comentário:

  1. Ferrolhos em tudo o que livremente se possa fazer ou auto regular.
    Deus constitucional: retrocesso claro, "involução" evidente. Dilatação dos grilhões. A Hungria é preâmbulo do que poderá estar a caminho na Europa. É súmula noticiada (ainda que pouco visível) do que se vai passando diariamente no grande poder. E no pequeno poder. Cada vez mais.
    Apesar de parecer que se é democrata, que se reúnem consensos e acordos de maiorias, sempre que há uma ligeira frincha para mandar, coagir, vergar, liberdades, garantias e direitos adquiridos, o humano (de barriga cheia de pequenos poderes) faz estardalhaço. Se puder atirar-te ao chão e dizer que "eu mando", "eu sou mais forte (porque tenho mais poder "económico-negocial") não perderá tempo; aliás, a frincha, a pequena frincha, poderá fechar e não terá ele, então, feito e cumprido aquilo que "deus" designou: Esmaga em meu nome.
    Deus não se limitou a conferir poderes especiais aos "grandes líderes". Também empossou o pequeno ditador e tomou café com ele numa tarde em que nós, impávidos e serenos, brincávamos à liberdade de expressão.

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