Extremo, imenso, angustiante e intenso! Como tudo o que ela escreveu
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”
Florbela Espanca - Livro de Soror Saudade
Mesmo pesando os ultra e mega romantismos, os seus desequilíbrios e as suas fixações doentias… A obra de Florbela é uma aguarela de lágrimas e de ilusões.
Viveu a dor com dor e gravou o seu mundo no feminino.
Todas as golfadas que lançou no papel saíram-lhe do útero… do Ser Mulher… do incontrolável!
Florbela Espanca… sonetos que li e reli na minha adolescência, que me acompanharam ao longo da minha juventude e que ainda me tocam agora… agora que, já mulher, ainda me revejo nos seus excessos… ainda me vou sentindo doente por viver.
Também nos extremos, nas periferias do amor, se encontra a perfeição. Aliás, atrevo-me a dizer que, quem não conhece as periferias do amor, também não abarca o seu núcleo…
Prefiro os extremos e a angústia porque me ajudam a respirar!
É bom recordar Florbela!! É bom recordar as extremidades da (sua) vida.
