quinta-feira, 26 de abril de 2012

florbela


Extremo, imenso, angustiante e intenso! Como tudo o que ela escreveu

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

Florbela Espanca - Livro de Soror Saudade

 
Mesmo pesando os ultra e mega romantismos, os seus desequilíbrios e as suas fixações doentias… A obra de Florbela é uma aguarela de lágrimas e de ilusões.
Viveu a dor com dor e gravou o seu mundo no feminino.

Todas as golfadas que lançou no papel saíram-lhe do útero… do Ser Mulher… do incontrolável!

Florbela Espanca… sonetos que li e reli na minha adolescência, que me acompanharam ao longo da minha juventude e que ainda me tocam agora… agora que, já mulher, ainda me revejo nos seus excessos… ainda me vou sentindo doente por viver.

 Para quê viver se não intensamente? Para quê amar se não imensamente?

Também nos extremos, nas periferias do amor, se encontra a perfeição. Aliás, atrevo-me a dizer que, quem não conhece as periferias do amor, também não abarca o seu núcleo…

Prefiro os extremos e a angústia porque me ajudam a respirar!

É bom recordar Florbela!! É bom recordar as extremidades da (sua) vida.



terça-feira, 17 de abril de 2012

mudam-se os hábitos



...a realidade muda com o tempo... os hábitos, as modas, os conceitos e os valores!
Redifinem-se e reorganizam-se vontades e vaidades. Colocam-se em campos distintos e contrários a rigidez das religiões e a moral do homem.

Do muito, excessivo e agrilhoante caminhamos para o nada, para o subjetivo e relativo.

Relativismos à parte... mudam-se os tempos e as vontades. O que era deixará de ser. Diz-se que é mesmo assim, que é o ciclo geracional (uma atrás da outra num movimento de apropriação da realidade). Resta-me perguntar: o ciclo irá fechar-se outra vez? voltaremos à bestialidade?
...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Para nunca mais!



Lembrar…
Meu mundo de cores que já não são!
De jardins que guardo em molduras digitais… para nunca mais!
Minha terra: Húmus entranhado em mim! Castanho de uma paleta que perdi.

Quisera encontrar-te outra vez: sossego da minha inocência… paz que guardo na retina da lembrança.
Sossego! Igual a ti, só aqui, no tempo em que te perdi!
Quando fui menina, e neta e filha… nada mais…


Por entre os verdes das minhas tranças te deixei. Cresci! Fugi… para longe de ti.
Sem saber o que deixava, soltei amarras e rasguei a carne que me prendia por fim.

E agora?
Andar à deriva e por fim descansar!
Encontrar um lugar… um céu… um mar!
Um mundo: o meu!
Onde a chuva não magoa e a terra é quente e sangue e suor.
Onde a terra corre em mim. Onde as mãos são raízes e o corpo é montanha.

Agora procuro… na certeza de que nunca mais te vou encontrar: serenidade da minha infância.
Para nunca mais! Até nunca mais!

domingo, 1 de abril de 2012

Do tempo que já foi

Amor meu… amor teu.
Amor que é e que será.
Preso ao que morreu?
Se já não é, porque te importa!
Para sempre te importará?

Amor meu… amor teu.
Longe do passado… para além dos pretéritos do tempo.
Amor mais! Amor Forte, permanente, insistente… perfeito! O meu e teu!

Até quando recordar? Para quando esquecer? Quando? Em que momento?
Pedir perdão… Até quando? Para quando? Tormento!

E a culpa? A carrasca… quando irá morrer?
A culpa pela dor que provoco…
Até quando? Esquecer!


O tempo esquece? O tempo passa? O tempo mata?

Do tempo que já foi sobram estilhaços no que é…