segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Socializando

Vamos falar um pouco sobre o nada...

Sobre os pequenos e insignificantes nadas que compõem as nossas vidas, num perpetuar e eterno retorno das amabilidades sociais.
Vamos falar um pouco... partilhar um pouco... deambular bastante (demais) pelos meandros do supérfulo e banal.
Porque achamos que o que nos interessa interessa aos outros (ou não), ou porque simplesmente não conseguimos viver sem partilhar aquilo que não importa a mais ninguém.

E o jogo social do socialmente irrelevante perpetua-se e renova-se por entre o mofo do aparente(mente) e normal...

Partilhemos, então, banalidades! 
EU banalizo,
TU banalizas,
ELE banaliza
...
e banalizando vamos passando, dançando e representando os papéis que os outros esperam de NÓS!

3 comentários:

  1. Uma certa imposição dos "Eus" aos "Outros" de cada um. Começando sempre pela pergunta aparente (mente) neutra de "Como foi isto?" ou um simples "Como estás?". Pretexto escondido? Inundar o outro com eu fiz eu comi eu vi eu eu eu...
    E ... Eu terei pensado?
    Terei pensado sequer se, ao outro, interessava saber o que vi, o que achei do que vi...?
    Fazer de conta que se é sem se ser... E o teatro está, mais uma vez, montado!

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  2. Banalidades quotidianas que somos "obrigados" a fazer por imposição social. Papéis sociais, parte deles impostos pela máquina social, e que nos obrigam a caminhar numa marcha lenta e silenciosa. Fugir dessa caminhada significa, muitas vezes, sermos crucificados pelo outro semelhante a nós, julgando-nos e conotando-nos como imorais. Cortesias forçadas, impostas na tentativa de corresponder ao que o outro espera de nós.

    Cristina Jorge

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  3. De facto, são cortesias forçadas, que têm por objectivo corresponder a expectativas... Mas penso que nem são apenas expectativas do outro. Estas "esperas" são, muitas das vezes, montadas e forçadas por mim.
    Não posso, e não sou, apenas resultado do que o outro espera que eu seja... sou o somatório das expectativas que eu tenho relativamente a mim, ao outro e ao modo como eu quero que o outro me veja.
    Representar papeis sociais já não basta! Antes de me perguntar sobre a forma como quero ser perspectivada pela alteridade tenho que pensar em quem sou realmente e que valores me regem. Penso que se eu souber isto, a minha marcha no vaivém das cordialidades será menos silenciosa.
    Não quero com isto dizer que nos devemos insurgir radicalmente contra estes ritualismos (necessários para viver em sociedade), pois acho que todos temos que representar papeis; mas que o façamos com a certeza de que mais não são que isso: rituais (que por vezes se assemelham com danças de acasalamento :))despojados de conteúdo.

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