quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Inquietações paliativas

Tenho vindo a observar (ou porque penso mais nisso ou porque se tornou mais evidente) que este país tem vindo a valorizar cada vez mais os cuidados paliativos.
Cada vez mais se dá o peixe e menos se ensina a pescar... Procuram-se tapar as feridas, ou "o sol com a peneira", mas não se reabilita ou trata efectivamente da génese do problema. Vamos ficando pela rama! Aliás, aprofundar em demasia pode ser um defeito e não uma virtude.
Isto acontece na economia (em que se impõem austeridade, para só depois se pensar em retoma e recuperação), nas políticas socias (que deram muito, durante muito tempo, e não apontaram caminhos de superação e emancipação), no futebol (gáudio desesperante do povo, que sobrevive sempre de "contas" e de comparações com a prestação dos outros), na conversa de café (local previligiado para apontar o dedo à rama) e um pouco por todo o lado e em todas as vertentes das nossas vidas.

Ainda hoje tive uma discussão (pouco acesa e descomprometida) sobre a (des)importância da monarquia, que ainda vai angariando "votos" e seguidores. Estes pró-monárquicos diziam que a república tinha morrido, pois não respeitava os nossos direitos e que o nosso remédio (este radical e pouco paliativo) seria votarmos a favor da implementação de uma monarquia neste país à beira mar plantado. Mais um afirmação "pela rama"... uma afirmação confortável daqueles que, tendo direitos, anseiam deixar de os ter mas, ao mesmo tempo, reclamam porque querem ter mais!

País de contrariedades... ou antes, sociedade de contrariedades em que os verdadeiros assuntos não chegam à comunicação social (ou se chegam não saem dela) e em que se tenta pôr um penso em tudo, sem curar verdadeiramente e tapar o sol com a peneira, sem sermos capazes de o olhar de frente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário