terça-feira, 2 de outubro de 2012

Roubalheira nacional


Na assembleia da República, a remuneração iliquida mais baixa é de 3605€ e este valor sobe... e sobe até uns absurdos 7352€.

Es
tas remunerações, que são um completo atentado à classe média, ainda tem acréscimos de deslocação da sua casa para o trabalho (porque estes senhores e senhoras recebem cerca de 70€ por cada dia em que nos dão a honra de ir "trabalhar" e mais 0.36€ por cada km que fazem até chegarem lá)... impressionante! Um subsidio e um abono de deslocação! "Horders"!
Para além deste roubo, estes senhores e senhoras, POR CADA VEZ que saem em representação da AR, recebem outro "apoio" de cerca de 70€, isto se não falarmos nos 376€ que ganham TODOS OS MESES por DESLOCAÇÃO em trabalho político. Tudo isto em território nacional, porque se falarmos em deslocações para o estrangeiro, a usurpação é muito maior.
Agora, se somarmos a este escândalo, viatura oficial, seguro de vida, cuidados de saúde (com equipas de saúde reservadas e exclusivas dos senhores e senhoras deputados) é caso para dizer que isto é o equivalente a ROUBAR, com direito a decreto-lei e tudo.

A nós, classe média, ninguém nos paga subsídios de deslocação... quanto mais acumular abonos e subsídios e outra qualquer nomenclatura que queiram usar...
Quem me dera que, cada vez que tenho que sair do meu local de trabalho para o "representar" me dessem 70€ (contento-me quando me pagam o parquímetro).

Somos roubados todos os dias... seja por governos, seja por oposições... porque será que nunca surgiu nenhuma proposta de alteração por parte das "oposições" a estas "leis"?

Não deve ser fácil receber tantos "apoios" para trabalhar e, mesmo assim, fazê-lo tão mal. Se isto se passasse numa empresa, estes "senhores" eram demitidos... TODOS


sábado, 22 de setembro de 2012

Vira e Volta

De volta à rotina e aos ritualismos. Virei a página das férias (das quais já sinto saudade) e estou a escrever outro e o mesmo capítulo que interrompi.

Tenho que me reprogramar para o dia-a-dia...


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Alvorada


Madruguei para te ver. Corri pelos sonhos e pelas horas cansadas, só para chegar e sentir-te ao meu lado!

Viajando em ti... só assim vale a pena despertar para os dias... só mergulhada neste oceano de possibilidades em que nada vive, nada se ouve... só o nosso olhar.

Por entre o silêncio de uma luz que teima em não acordar, na alvorada da realidade que nos bate à porta, em ti me procuro e em ti me revejo.

Dias que passam cheios de nós... guardarei para sempre as partículas de infinito que sorvo, em cada manhã, em que venho só para te encontrar. 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Férias


Este mês que antecede as férias é qualquer coisa de tenebrosa e desgastante. Fica sempre um misto de inquietação e antecipação nos dias, que nos dificulta o respirar.
Entre projetos descomprometidos arrastam-se as horas, espreitando o calendário parado e lentificado que teima em não passar.

Como se diz em terras de São Miguel... “sai-te mês desgraçado!” Eu preciso de descansar.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Deambulando




“Respiramos demasiado depressa para sermos capazes de captar as coisas em si próprias ou de denunciar a sua fragilidade”
Emil Michel Cioran. (1911-95). Pensar Contra Si Próprio


Cioran apresenta-nos um pensamento pessimista da própria condição de SER humano e coloca em diálogo direto a liberdade e a ação. Para este autor, sentir, agir, interagir, deturpa a nossa consciência e torna-nos incapazes de pensar livremente. Como tal, e uma vez que não conseguimos ausentar-nos da ação, a liberdade é um conceito utópico e inatingível.

Correndo o risco de desvirtuar o pensamento do autor, vou-me deter um pouco neste "respirar" sôfrego e apressado de que ele nos fala que, me parece, retrata de forma fidedigna a realidade atual.
Tem-se tornado cada vez mais evidente que vivemos na sociedade do imediato (e do imediatamente), em que tudo nos é dado em formato de  "pacotes promocionais".
A escola vem em pacotes que se adequam às "necessidades" e níveis de dificuldade;  a televisão é agora feita à medida de quem a consome; a informação multiplica-se em diferentes meios e feitios e vamos passando pelos dias mergulhados em excessos (de oportunidades, de escolhas, de agir).
O aleatório e subjetivo instala-se e o mundo respira depressa demais. O pulsar do agora e pré-feito dá-nos a oportunidade de escolher sem pensar e sem pesar consequências.  
Estes "pacotes promocionais" que enformam os nossos dias tornam-nos inconsequentes e superficiais e fazem-nos querer "comprar" mais e mais, sem termos sequer consumido o que já temos.
Acredito que vivemos na armadilha do imediato e na ilusão da liberdade pois, uma vez que não somos convidados a pensar, não aprofundamos nem nos apropriamos de nenhum dos "pacotes" que compramos (apesar de os assumirmos como perenes convicções) e acabamos por escolhê-los de forma aleatória e comodista.
O mesmo autor diz-nos que "só tem convicções aquele que não aprofundou nada" e, de fato, se pensarmos nos absolutos percebemos que estes estão presos à temporalidade, individualidade e contextos dos relativos. A vida só É relativamente à morte, deus só existe porque o Homem decidiu pensá-lo e a ciência só nos dá verdades provisórias.
A palavra-chave desta deambulação parece-me ser "aprofundar"... temos que respirar pausadamente, sorver apenas os "pacotes promocionais" que nos interessam e aprofundá-los, captar a sua essência e questioná-los. 
Quem não questiona as suas convicções está condenado a viver na ilusão de que é livre!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Constatações de Verão



O calor que me abraça por dentro abafa a chuva que me molha
Em retirada passam por mim gotas e orvalhos e constelações...
Num marulhar de sons e emoções o céu chora enquanto o meu corpo estremece em delírio.
Sinto a paz dos dias felizes a instaurar-se em mim. Que chova e troveje! Eu vivo sobre as nuvens.