terça-feira, 26 de junho de 2012

Férias


Este mês que antecede as férias é qualquer coisa de tenebrosa e desgastante. Fica sempre um misto de inquietação e antecipação nos dias, que nos dificulta o respirar.
Entre projetos descomprometidos arrastam-se as horas, espreitando o calendário parado e lentificado que teima em não passar.

Como se diz em terras de São Miguel... “sai-te mês desgraçado!” Eu preciso de descansar.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Deambulando




“Respiramos demasiado depressa para sermos capazes de captar as coisas em si próprias ou de denunciar a sua fragilidade”
Emil Michel Cioran. (1911-95). Pensar Contra Si Próprio


Cioran apresenta-nos um pensamento pessimista da própria condição de SER humano e coloca em diálogo direto a liberdade e a ação. Para este autor, sentir, agir, interagir, deturpa a nossa consciência e torna-nos incapazes de pensar livremente. Como tal, e uma vez que não conseguimos ausentar-nos da ação, a liberdade é um conceito utópico e inatingível.

Correndo o risco de desvirtuar o pensamento do autor, vou-me deter um pouco neste "respirar" sôfrego e apressado de que ele nos fala que, me parece, retrata de forma fidedigna a realidade atual.
Tem-se tornado cada vez mais evidente que vivemos na sociedade do imediato (e do imediatamente), em que tudo nos é dado em formato de  "pacotes promocionais".
A escola vem em pacotes que se adequam às "necessidades" e níveis de dificuldade;  a televisão é agora feita à medida de quem a consome; a informação multiplica-se em diferentes meios e feitios e vamos passando pelos dias mergulhados em excessos (de oportunidades, de escolhas, de agir).
O aleatório e subjetivo instala-se e o mundo respira depressa demais. O pulsar do agora e pré-feito dá-nos a oportunidade de escolher sem pensar e sem pesar consequências.  
Estes "pacotes promocionais" que enformam os nossos dias tornam-nos inconsequentes e superficiais e fazem-nos querer "comprar" mais e mais, sem termos sequer consumido o que já temos.
Acredito que vivemos na armadilha do imediato e na ilusão da liberdade pois, uma vez que não somos convidados a pensar, não aprofundamos nem nos apropriamos de nenhum dos "pacotes" que compramos (apesar de os assumirmos como perenes convicções) e acabamos por escolhê-los de forma aleatória e comodista.
O mesmo autor diz-nos que "só tem convicções aquele que não aprofundou nada" e, de fato, se pensarmos nos absolutos percebemos que estes estão presos à temporalidade, individualidade e contextos dos relativos. A vida só É relativamente à morte, deus só existe porque o Homem decidiu pensá-lo e a ciência só nos dá verdades provisórias.
A palavra-chave desta deambulação parece-me ser "aprofundar"... temos que respirar pausadamente, sorver apenas os "pacotes promocionais" que nos interessam e aprofundá-los, captar a sua essência e questioná-los. 
Quem não questiona as suas convicções está condenado a viver na ilusão de que é livre!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Constatações de Verão



O calor que me abraça por dentro abafa a chuva que me molha
Em retirada passam por mim gotas e orvalhos e constelações...
Num marulhar de sons e emoções o céu chora enquanto o meu corpo estremece em delírio.
Sinto a paz dos dias felizes a instaurar-se em mim. Que chova e troveje! Eu vivo sobre as nuvens.


(Mesmo em dias de chuva, o que importa é ter motivos para sorrir!)