“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” Fernando Pessoa
Depois das deambulações pessimistas de ontem e voltando à questão do(s) tempo(s), nada podia retratar melhor aquilo que sinto, que já iniciei e que quero continuar para sempre: a minha nova "travessia".
Em 2011 despi-me de roupas usadas que, ao contrário do que o poeta diz, tinham deixado de me servir. As formas eram confortáveis (se não fossem questionadas) e as cores eram ainda bonitas, mas já não me serviam! Penso que ganhei pesos e bagagens que foram, ao longo do tempo, tornando as minhas roupagens demasiado apertadas e me levavam sempre "aos mesmos lugares"... lugares que já nem eram meus e que, tal como as minhas roupas, se tinham tornado demasiado apertados e confinados.
Iniciei uma nova travessia, que me recolocou "em mim" e me fez sair da margem em que vivia. Ousei querer mais (com todos os atalhos, obstáculos e dificuldades que isso implica) e quero ir ousando, "gerundiando" sempre e para sempre nesta vida (minha) que é pouca quando se sabe para onde se vai.
Despir para atravessar.
ResponderExcluirAtravessar para viver.
Viver para amar.
Amar para partilhar e ser.
Ser para ser a dois.
Dois por ser melhor que um e melhor que nada.
Nada; se tudo acabar.
Nadar para a outra margem.
Chegar à margem e vestir.
Vestir para despir:
mas desta vez
Despir para Amar e não mais atravessar.